sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Como nos velhos tempos:
ele lhe entrega seus poemas
e ela pensa em pequenas gotas de orvalho.
Eu não sei, meu caro amigo, quantos filmes
me tirarão o sono.
Orgulho não perece
enquanto ela vai à geladeira e pensa
em quantas noites dormiu só.

Como nos velhos tempos:
ela aprende retroativamente o quanto
foi romântica
e cai no risco do positivismo.
Ele tenta tanto lhe mostrar os seus
rascunhos revistos e ampliados.
Ela dorme e não anoitece
enquanto ele enaltece
seu próprio niilismo.

Como num tempo ínfimo:
ele conta seus temores
sabendo que ela lê secretamente
seus poemas e pequenas gotas pululantes
preenchem o espaço vazio de seus olhos.
Eu não sei, meu caro amigo, quantos filmes
me darão sono.
Ela faz o caminho inverso e revê sua veia relutante
enquanto ele dorme só e sonha
com estranhos caminhos da normalidade.

Como num tempo bom:
ela se despe do orgulho e deita-se tranquilamente ao lado daquele homem.
Pensa em escrever, mas nada na literatura a atrai.
Não se sente mais desajustada, perde-se o brilho da criatividade.
Pensa em fazer um grande filme, mas se distrai
nas inúmeras possibilidades de um voo ajustado com antecedência.
É como se nada lhe faltasse.
Cansou-se da palavra.

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