segunda-feira, 16 de abril de 2012

Vou ao seu encontro -
relação imaginária -
mas as perguntas são as mesmas
tudo começou poesia me devora
por dentro, estômago, rins e tudo o mais
eu não devia chorar lágrimas-poemas saltitantes
foi naquele dia, no primeiro andar
ele enforcou no limiar a tentativa
descoberta dos últimos vinte anos
nobel à espreita
auto-análise não resolve
poesia só me salva e é pouco
mas me envolve
fluorescente
nuvem é metáfora
o verão por vezes é causticante
o veneno nunca é o mesmo a não ser
que me devore feito poesia
me contenta
nunca permaneci a mesma
mas guardei resquícios
poesia corresponde
metáforas substituem
um encontro imaginário
quase onírico

fechei o tempo
Dia bonito e sem sentido para os que querem a raça pura
pura claridade obscura da tua mão na minha
Pêcheux está morto e Althusser também
Um voo lancinante do quarto andar
comunidade não existe
metafísica não consiste
sem sentido o meu vestido
neste dia tão bonito para os que querem a raça pura
capitalismo não existe
comunismo também não
era verão e era de noite
sem sentido o ar gelado
para o que procura a cura
do mal humano
há pessoas em apuros às centenas
o telefone resiste aos atentados contínuos
continuidade não é regra
é imposição à qual resisto por prazer
primavera é ficção
atrás do meu armário me escondo
e digo não aos transeuntes
não existe esta dor
não existe "não existe"
tudo eu crio
e desfaço
tudo ao meu dispôr
e os homens lá fora querendo controlar
seus extintos instintos