sábado, 17 de março de 2012

Au-déla de la littérature

É tão bonito, meu bem, eu aqui lendo e tu querendo tocar guitarra. É tão bonito: eu tão pouco absorta e tu e a guitarra. É quando eu te olho de viés. É tão pouco e é um tudo. E tu querendo tocar guitarra. É tão bonito. Eu me ensaiando num jogo de dados e tu querendo tocar guitarra. É tão bonito. Eu aqui e o sol lá fora. E tu querendo tocar guitarra. Mon petit amour est au-déla de la littérature. Traduze Joyce para que eu possa lê-lo pelos teus olhos? Tu querendo tocar guitarra. É só um fluxo. É tão bonito. Eu tão pouco absorta e Ulisses interditado pelo dicionário. Tu querendo tocar guitarra. O sol lá fora é uma metáfora, um lugar comum. Eu cheia de parênteses para enunciar clichês. E tu só querendo tocar guitarra. Tu es au déla de la littérature. E eu querendo anunciar metáforas.Nota prévia: haverá um tempo sem romances, sem novelas. Tu só queres tocar guitarra. É um todo e é um fluxo. Eu e minhas metáforas te contamos uma metade. É tão bonito. Eu tão pouco absorta. E os lugares comuns. Lacan achava que metáforas eram paráfrases. E tu, as guitarras e as mensagens. Há um ano só escrevo autobiografia. Lacan diz metáfora e eu digo paráfrase. Só paráfrases. É tão bonito. Guitarra. Ficção foi uma fuga. Lugar comum da fuga. Eu e as metáforas.

Lendo, tão pouco absorta, te olho de viés, tão pouco e tão tudo. Tão pouco é um tudo. Ensaio-me num jogo de dados, eu aqui e o sol lá fora: mon petit amour est au-déla de la littérature. Joyce para que eu possa lê-lo pelos teus olhos, só um fluxo, Ulisses e o dicionário interditados. O sol lá fora é uma metáfora: lugar comum. Parênteses e clichês anunciando metáforas. Notas prévias aos romances e às novelas: todo fluxo. Uma metáfora para Lacan: uma paráfrase. Mensaagens tuas, minha autobiografia. Ficção seria fuga? Lugar comum das metáforas. É tão bonito: tu e a guitarra au-déla de la littérature.

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