sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Era um encanto:
era um cântigo,
um argumento,
era meu.

Se hoje lembraste de mim
ao escutar uma canção,
não penses que deixei de lembrar de ti
justo naquela parte em que o disco arranha.
Não era para ser,

conta-me o teu segredo,
que eu mais nada tenho
a dizer,
conta-me coisas banais
e até mesmo fúteis,
eu acho graça.

Ouve, quero te dizer uma coisa,
mas em segredo:
só te vejo de relance,
mas houve um lance que
me deixou tonta:
gostei de ouvi-la cantar,
não sei se é loucura ou impertinência,
mas ainda assim lembrei de ti.

A minha lógica é a lógica
da linguagem e mais nada,
vazia puramente
como a lógica de uma palavra.

Não esperas de mim
um ímpeto?
Não esperas de mim um átomo?
Nada esperas de mim?
Pois saibas que toda noite
eu te dou tudo de mim,
mesmo sem lógica,
quase heróica,
uma pétala,
um plátano,
avassaladora.

Vou esperar telepatia
pelas ruas por onde eu ia
te encontrar.

Sou quase nada
talvez um único nada
o que não exige pontuações
eu existo tudo em mim
na tua imagem

espero uma carta distraída,
um encontro na esquina,
uma mesa de bar
e duas doses de Whisky
e duas pedras de gelo, por favor.
Não mandes recados,
te vejo nas próximas horas,
eu mesma caminhando
e enfrentando tua mão na nuca.
Eu diria nunca,
não vou acordar.

4 comentários:

Tear de Sentidos disse...

Ai, minha linda, que poema maravilhoso!
A tua lógica, Janinha, é a lógica do coração!
E um super bjão!
Tê!

Ana SS disse...

Sonhos costumam ser melhores que a realidade...senão, deixam de ser sonhos.
=)

Anne M. Moor disse...

Janaína

Aiiiiiiiiiiiii que poema magnífico! Que lindo... Gosto tanto ler o teu poetar!

beijão
Anne

Anônimo disse...

Jana, sabes que não passo muito por aqui, mas adoro o que escreves.
Este, em especial, tem tudo a ver com o momento em que conversamos agora.
hehehe
Simplesmente lindo!!
Beijos,
Kaká Bernardes