quarta-feira, 24 de novembro de 2010



porque sou uma instância inferior de céus
e nuvens e trovões,
porque quero os clichês ardendo em mim
antes de serem clichês, chavões e banalidades,
porque vou até o sol e queimo frente a tanto enfrentamento,
porque choro sozinha nas noites e nos dias em que voo sem pouso,
porque sou pouco e sempre desejei o mais,
porque vou sair a procurar porquês,
Eu estou aqui. 
Por que vou até teus pés e volto em um átimo?
Por que sou sempre a última?
Por que levo dois tempos, assim bem computados, para
pensar e transformar os ímpetos em planos?

Volta à casa o antigo dono, faz do chão o seu entorno,
torna a mim o meu intento, vem do céu o sol e o vento,
não sou eu que escrevo cartas e as rasgo dois segundos depois?
Não sou eu aquela que quis roubar dois ou três versos geniais?
Porque percebo essa farsa em cinco atos ancestrais.

Estou ardendo e ninguém vê. Por quê?
Eu vou saindo pelos fundos,
não tenho ganas de paixões, de verdades,
bobagens, canções e novos mundos,
só vou saindo pela porta de trás,
querendo chamar atenção pelos 
avessos. Eu sempre fui igual
e invertida.
Eu sempre fui igual
e pervertida,
só me falta a ginga social.
Vou saindo pelos fundos,
mas continuo a espreitar meus passos:

vou amanhã ao meu encontro

5 comentários:

Ana SS disse...

Não vês que estou queimando?

Belo escrito.

Flavio Ferrari disse...

Adorei ... superou-se

Tear de Sentidos e Tear II disse...

Janinha... Dez!!!!!
"Eu sempre fui igual
e invertida.
Eu sempre fui igual
e pervertida,
só me falta a ginga social."

Ai, que liiindo!!!!
Bjoca! Tê!

janaina brum disse...

Gente, obrigada pela visita e pelas palavras... ando meio swumida, mas, quando dá, apareço por aqui... saudade de vê-los mais de perto!
Beijos, Jana

Anne disse...

Jana
Intensa! Poema espetacular!

bjos
Anne