quarta-feira, 24 de novembro de 2010



porque sou uma instância inferior de céus
e nuvens e trovões,
porque quero os clichês ardendo em mim
antes de serem clichês, chavões e banalidades,
porque vou até o sol e queimo frente a tanto enfrentamento,
porque choro sozinha nas noites e nos dias em que voo sem pouso,
porque sou pouco e sempre desejei o mais,
porque vou sair a procurar porquês,
Eu estou aqui. 
Por que vou até teus pés e volto em um átimo?
Por que sou sempre a última?
Por que levo dois tempos, assim bem computados, para
pensar e transformar os ímpetos em planos?

Volta à casa o antigo dono, faz do chão o seu entorno,
torna a mim o meu intento, vem do céu o sol e o vento,
não sou eu que escrevo cartas e as rasgo dois segundos depois?
Não sou eu aquela que quis roubar dois ou três versos geniais?
Porque percebo essa farsa em cinco atos ancestrais.

Estou ardendo e ninguém vê. Por quê?
Eu vou saindo pelos fundos,
não tenho ganas de paixões, de verdades,
bobagens, canções e novos mundos,
só vou saindo pela porta de trás,
querendo chamar atenção pelos 
avessos. Eu sempre fui igual
e invertida.
Eu sempre fui igual
e pervertida,
só me falta a ginga social.
Vou saindo pelos fundos,
mas continuo a espreitar meus passos:

vou amanhã ao meu encontro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Aqueles dias foram
atos, foram portos,
aeroportos,
passagens, miragens
e eu era a feiticeira,
a cigana,
a rainha.
Eu jamais soube de
qualquer fluido,
de qualquer ruído,
de divindades
e freiras.
Eu era um porto de passagem
eu era hospedagem
eu era tudo o que
querias,
eu era tu
eu eras tu
todas
as eras
todas as ervas
eu em espanhol
eu em fluidez
eu de novo na terra
molhada,
eu devastada,
eu descoberta,
eu improvisada,
mundana
no submundo
eu uma deusa alada

atençào, senhores passageiros,
sem companheiros, sem aeroplanos,
estou voltando para terra firme.