domingo, 18 de julho de 2010

Eu não quis te fazer mal:
juro que não.
Eu só quis chamar todas
as atenções
e mais ainda.
Se o poeta toma o papel do ator,
rouba a cena
e causa fúria,
ele não vê,
ninguém vê
a sua profunda ligação de artista.
Se eu sou inquieta e tu também
não precisamos brigar.
Para quê?
Vamos fazer uma canção.
Eu não quis subir no palco:
se subi e roubei - 
eu roubei - a cena 
foi somente por querer
te dizer
bem alto
(só assim o som é mais do que o sentido)
nos teus ouvidos
que tudo isso aqui é transitório.
Eu quis te dizer a minha mentira,
eu não quis te ferir,
não.
Eu quis te mostrar os meus avessos,
tudo isso que me faz agir.
Eu não quis te mentir
com a seriedade dos artistas.
Tudo é transitório.
Eu te disse a verdade irrefutável 
da mentira.
Eu te disse e me joguei
do palco, do prédio,
nos trilhos, nas calhas.
Eu me joguei e voei,
voei tão alto e tão longe
que te olho agora
distante.
Esta é a minha verdade:
NÃO PERMANECE,
NADA PERMANECE.

3 comentários:

A Palavra Mágica disse...

Eu acho que essa peça tem mais um ato, porque não fecharam as cortinas.

Beijos!
Alcides

janaina brum disse...

Alcides, quanto tempo!!!
Beijos, obrigada por passar por aqui!

Tear de Sentidos disse...

Pois é... Concordo com o Alcides...
Vamos conversar sobre este poema?
Saudade e bjinho!
Tê!