segunda-feira, 26 de julho de 2010


Não gosto de medos: desconfio deles. De repente, me dá uma vontade louca de voar: atenção, senhores passageiros. Dessa vez, sem aeroplanos.
"Momento de falta de acabamento", diz a música do momento. E eu aqui, entre a falta e o entendimento.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sinto muito frio,
eu disse.
E ela me apertou
contra o peito.
Era hora de delicadezas.
Eu não posso com este
céu
em
mim.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Assim não vale, Blogger!

Gente, escrevi um texto novo no perfil e o blogger não deixou eu publicar, pois era muito grande. Perdeu um pouco do sentido lá. Então pensei que seria bom publicar o texto na íntegra como postagem.

Em primeiro lugar, eu sou. Mas eu sou de um modo bem específico, bem particular. Eu sou entre livros, entre leituras, entre gentes. Eu sou sempre no limiar.




Eu não sou deste tempo, nasci na data errada, houve um engano ao me colocarem no mundo: foi tarde demais. Eu deveria ter vivido nos anos 60, 70, 80 e não agora. Apesar disso, eu gosto de ser agora e de ser assim um ser meio "retrô".


Se eu sou no tempo errado, eu sou no lugar certo. Apesar de ter anseios de grandes metrópoles e de praias desertas, eu sou no entremeio de tudo isso, sou em Pelotas, essa mistura bonita e úmida de grandes problemas e de grandes amenidades.


Eu sou com as pessoas certas. Já levei tabefes, sim, de amigos, de amores, de todos os lados. E ainda levo. Mas vale a pena estar aqui, vale a pena ter os amigos, os colegas e os familiares que eu tenho. Por eles, posso levar mil tabefes e pontapés e continuarei feliz.


Eu gosto de ser na Terra. É bom errar... e poder consertar depois... ou não também, sei lá.


Já é manjado alguém dizer que é livre. Não sou. Tenho que trancar a porta de casa quando entro, cuidar as esquinas quando ando pelas ruas à noite, desligar estrategicamente o celular nos domingos, sumir da Internet de tempos em tempos, essas coisas. Mas, de vez em quando, tenho asas. E ando, ando, voo, voo por aí. e ninguém me vê. Eu posso ser a famosa mosquinha. Isso se chama CRIATIVIDADE. E eu sou feliz por isso.


Estimulo minha criatividade todos os dias. Nem que seja saindo para caminhar sem rumo pela cidade e imaginar histórias urbanas. Tento estimular a criatividade alheia também. Gostaria muito que esse fosse o tal de legado que dizem termos de deixar para isso que vulgarmente chamam de humanidade. Por isso, tornei-me professora. Talvez eu consiga, talvez não, talvez eu nem mesma saiba o que é criatividade, mas o importante é que ando buscando. Ando sendo em busca disso.


Eu quero tudo que ainda não existiu, tudo que ainda não veio. EU QUERO O ANTES. EU SOU QUERENDO O ANTES. E isso basta.

Obra-prima de minha irmã Daniela

Gente, vocês sabem que não costumo postar nada de muito pessoal aqui no ELA. Mas hoje, particularmente, vou postar fotos, fotos do meu sobrinho lindo, o João Inácio. Não há obra mais bela que essa, gente! Danizinha, que luz teu João Inácio veio trazer para nossas vidas neste momento tão delicado!
AMO VOCÊS!!!!

Gente, sou titia coruja, sim! Vejam que belezura de bebê!!!!




domingo, 18 de julho de 2010

Eu não quis te fazer mal:
juro que não.
Eu só quis chamar todas
as atenções
e mais ainda.
Se o poeta toma o papel do ator,
rouba a cena
e causa fúria,
ele não vê,
ninguém vê
a sua profunda ligação de artista.
Se eu sou inquieta e tu também
não precisamos brigar.
Para quê?
Vamos fazer uma canção.
Eu não quis subir no palco:
se subi e roubei - 
eu roubei - a cena 
foi somente por querer
te dizer
bem alto
(só assim o som é mais do que o sentido)
nos teus ouvidos
que tudo isso aqui é transitório.
Eu quis te dizer a minha mentira,
eu não quis te ferir,
não.
Eu quis te mostrar os meus avessos,
tudo isso que me faz agir.
Eu não quis te mentir
com a seriedade dos artistas.
Tudo é transitório.
Eu te disse a verdade irrefutável 
da mentira.
Eu te disse e me joguei
do palco, do prédio,
nos trilhos, nas calhas.
Eu me joguei e voei,
voei tão alto e tão longe
que te olho agora
distante.
Esta é a minha verdade:
NÃO PERMANECE,
NADA PERMANECE.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Eram luzes,
danças frenéticas,
não propriamente uma
paixão.
Era um estar-entre-águas
cachoeiras e enchentes.
Era um gosto adocicado
de energético
e o ácido
dos ácidos e dos alcóois.
Eram olhos se olhando
e mãos se procurando
na noite,
vazia, sim,
plena de fumaças
e olhares esquecidos
e amnésias temporárias.
Era uma noite qualquer e
um romance sem futuro,
não propriamente uma paixão.
Era uma noite
de Pérsios e Santiagos,
e eu no meio,
segurando a mão dele.
Era a mão dele
e bastava,
não propriamente uma paixão.
Eram livros empilhados
e a voz dele no telefone,
era um interurbano
na noite de julho.
Era.
Não propriamente uma paixão:
melhor.