segunda-feira, 26 de julho de 2010


Não gosto de medos: desconfio deles. De repente, me dá uma vontade louca de voar: atenção, senhores passageiros. Dessa vez, sem aeroplanos.
"Momento de falta de acabamento", diz a música do momento. E eu aqui, entre a falta e o entendimento.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sinto muito frio,
eu disse.
E ela me apertou
contra o peito.
Era hora de delicadezas.
Eu não posso com este
céu
em
mim.

domingo, 18 de julho de 2010

Eu não quis te fazer mal:
juro que não.
Eu só quis chamar todas
as atenções
e mais ainda.
Se o poeta toma o papel do ator,
rouba a cena
e causa fúria,
ele não vê,
ninguém vê
a sua profunda ligação de artista.
Se eu sou inquieta e tu também
não precisamos brigar.
Para quê?
Vamos fazer uma canção.
Eu não quis subir no palco:
se subi e roubei - 
eu roubei - a cena 
foi somente por querer
te dizer
bem alto
(só assim o som é mais do que o sentido)
nos teus ouvidos
que tudo isso aqui é transitório.
Eu quis te dizer a minha mentira,
eu não quis te ferir,
não.
Eu quis te mostrar os meus avessos,
tudo isso que me faz agir.
Eu não quis te mentir
com a seriedade dos artistas.
Tudo é transitório.
Eu te disse a verdade irrefutável 
da mentira.
Eu te disse e me joguei
do palco, do prédio,
nos trilhos, nas calhas.
Eu me joguei e voei,
voei tão alto e tão longe
que te olho agora
distante.
Esta é a minha verdade:
NÃO PERMANECE,
NADA PERMANECE.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Eram luzes,
danças frenéticas,
não propriamente uma
paixão.
Era um estar-entre-águas
cachoeiras e enchentes.
Era um gosto adocicado
de energético
e o ácido
dos ácidos e dos alcóois.
Eram olhos se olhando
e mãos se procurando
na noite,
vazia, sim,
plena de fumaças
e olhares esquecidos
e amnésias temporárias.
Era uma noite qualquer e
um romance sem futuro,
não propriamente uma paixão.
Era uma noite
de Pérsios e Santiagos,
e eu no meio,
segurando a mão dele.
Era a mão dele
e bastava,
não propriamente uma paixão.
Eram livros empilhados
e a voz dele no telefone,
era um interurbano
na noite de julho.
Era.
Não propriamente uma paixão:
melhor.