quinta-feira, 24 de junho de 2010


Eu acho que morrer é assim como virar uma árvore. Imóvel. Com raízes fortes. Morrer não dói, eu acho, morrer é passar de animal a vegetal. O único incômodo deve ser não poder se mover, mas isso só para quem está acostumado a andar, a mexer os braços, as pernas. Morrer é como deixar de ter braços e pernas. De início a gente não sabe como lidar com tanta desumanidade. Depois se toma distância assim da vida humana e se olha como se fosse um terceiro. Se é que uma árvore olha. De repente é só ouvir que faz uma árvore. Ou de repente nem é isso. Será que se tem medo de chuva quando se é uma árvore? Existe um deus das árvores? No início, acho que eu me assustaria da noite sendo uma árvore. Mas ser árvore não dói, imagino. A gente nem sente tanta frescura sendo árvore de raiz bem fincada no chão. Nem se tem vontade de correr. Deve ser bom ter o vento batendo dos braços, ou seja, galhos. Como se tornam os braços galhos?
Ando com saudades de uma árvore.

Um comentário:

Tear de Sentidos disse...

Escrevendo cada vez melhor!
"Saudade é a dor que fica", alguém já disse... E, se ficou, é porque foi bom...
Vem, Janinha!
Consegui uma imagem de uma árvore...com borboletas amarelas!!!!!
Vem, quero te ver e conversar muito, muito contigo!
Te adoro!
Bj, Tê!