quinta-feira, 1 de abril de 2010


De repente, vidros estilhaçados
Lançavam-se sobre mim
E sobre aquelas velhas certezas
Não era apenas uma metáfora
Era concreto e fazia
Sangrar meu rosto e meus ideais
Era horizonte que não se realizava
Mais como horizonte
Era terra firme
Em terremotos
Eram motivos alheios
A governar meus
Ais
Eram espelhos se quebrando
E se jogando em minha face
Distorcida
Era a dor
Que de tão concreta
Não mais doía
Impossível de significar
Eram os cacos dos poemas
Amontoados sobre mim
Eram os vestígios
Dos crimes
Que cometi ao aproximar-me
Da verdade
Era febre intermitente
E orações inarticuladas
Eu estava dentro de uma caixa
Pequena caixa, acompanhada
Somente
De meus gritos
bafados
Era a verdade nua
Que eu não quisera
Jamais
Alcançar

2 comentários:

Tear de Sentidos disse...

Liiiindo! Expressa uma angústia... uma vontade de gritar e não conseguir...
... Sai da caixa!!!!
E nos deixa o poema! Lindo!!!!
Bjoca!
Tê!

Janaina Brum disse...

Ai, as caixas, as caixas...