segunda-feira, 29 de março de 2010

Eis-me:
caótica e desejante,
objeto corpóreo
de suores e vetores
e sons à noite.
Sou eu que te sacudo
às bofetadas
e te pergunto
- instigante - 
prendeste as amarras
do desejo?
Jogaste tuas últimas fichas
na possibilidade de
perder-te de mim?
Perdeste-te a mim,
ficaste preso nas malhas
caóticas
do meu desejo
violáceo e sem destino,
ficaste meu,
nesta posse absurda e
infinita
dos possíveis:
impossibilidade
que transcende a
fronteira tênue
entre ti e mim,
entre eu e tu.
Jogaste teu ímpeto nas
estradas lineares de
outro corpo?
Julgaste plena e eficaz
tua vontade de ser outro?
Vontade se distingue de
desejo pois ele retorna
e anula as vontades
- mesmo as mais sublimes.
Estou aqui
e te jogo no meu jogo
aos tapas.
Não há simetrias, mas incandescências,
há morte e a veia pulsante,
jogador!
Sim, jogo na tua cara
tuas inverdades e
te faço medo:
fuga eterna dos mesmos desejos
sem sintonia:
em profundidade.

10 comentários:

relendoomundo disse...

Jana, quanto sentimento, quanta agressividade! Eu gosto dos teus escritos, da forma como teus devaneios fluem no teclado. Fortes e sonoros... Escreve mais, querida!

Tear de Sentidos disse...

Jninha, lindo!!!! Feroz!!!!
Só que tô com medoooooo! Rsrsr!
Lindo, minha poeta preferida!
Às vezes eu tenho a impressão de que escreves movida por uma espécie de fúria e "por pulsão", quase uma "psicografia", entendes?
Bjoca!!!!!
Tê!

Flavio Ferrari disse...

Com desejos, desde logo cedo
Melhor cavalgá-los
Do que sucumbir ao medo

Anne M. Moor disse...

Esse jorrar de sentimento pode levar a um sentir de leveza...

Escrevi meu post antes de ler este teu poemão!!! Lindo! Pulsante!

Beijos
Anne

Janaina Brum disse...

Lulú! Que belas palavras!
Gracias por aparecer por aqui!
Besi

Janaina Brum disse...

Têêê, escrevi esse poema e me lembrei de ti que sempre fala dos meus escritos agresivos!
Pois eu tenho a mesma impressão que tu: às vezes leio o que escrevo e não reconheço... dizem as más línguas - no caso, as dos psicanalistas - que é o inconsciente!
Beijo, Lindonésia Primeira e Única!

Janaina Brum disse...

Concordo plenamente, Flávio, mas às vezes é tão difícil!
Beijos

Janaina Brum disse...

Concordo também contigo, Anne! Quando eu escrevi, estava tensa, lendo umas coisinhas difíceis do Guattari e com sono, pois era de madrugada... escrevi e melhorei...
Beijo, saudade de ti!

Batom e poesias disse...

Vim através do Flávio (Arguta) e confesso que fiquei apaixonada pela sua caneta selvagem.

Gostei demais dos três poemas que li (especialmente o ultimo)e pretendo voltar muitas vezes.

Parabéns
bj
Rossana

Janaina Brum disse...

Olá, Rossana, seja bem-vinda!