segunda-feira, 29 de março de 2010

Eis-me:
caótica e desejante,
objeto corpóreo
de suores e vetores
e sons à noite.
Sou eu que te sacudo
às bofetadas
e te pergunto
- instigante - 
prendeste as amarras
do desejo?
Jogaste tuas últimas fichas
na possibilidade de
perder-te de mim?
Perdeste-te a mim,
ficaste preso nas malhas
caóticas
do meu desejo
violáceo e sem destino,
ficaste meu,
nesta posse absurda e
infinita
dos possíveis:
impossibilidade
que transcende a
fronteira tênue
entre ti e mim,
entre eu e tu.
Jogaste teu ímpeto nas
estradas lineares de
outro corpo?
Julgaste plena e eficaz
tua vontade de ser outro?
Vontade se distingue de
desejo pois ele retorna
e anula as vontades
- mesmo as mais sublimes.
Estou aqui
e te jogo no meu jogo
aos tapas.
Não há simetrias, mas incandescências,
há morte e a veia pulsante,
jogador!
Sim, jogo na tua cara
tuas inverdades e
te faço medo:
fuga eterna dos mesmos desejos
sem sintonia:
em profundidade.

quarta-feira, 24 de março de 2010

No meio desta felicidade amena,
perco-me em ditos auto-biográficos,
envolta em verdades superficiais.
Muita gente tira-me a razão...
Teorias rasas e rasgos de inquietação.
Sublime.
Ai de quem não não adentra neste mundo fictício
e meu.
Teoria literária,
livros à espreita
de um momento sóbrio,
lúcido.
Inútil:
não virá jamais
para consolar-me.
Esta mão que me cobre a pele
cálida...
Estarás aqui mesmo
ou não é mesmo verdade?
saudade do tempo em que me dizias
que procuravas alguém como eu...
e eu que julgava
seres incrível...
exagero do tempo
que fez de nós
ruptura contínua,
poço dos desejos,
opostos,
resistência altiva,
adeus sem revolta, 
certeza da volta - 
fim adiado
para sempre.
Complexos de agonia lenta
a cada esquina:
passo pelas ruas
sem que elas me levem.
Faço o caminho diário:
sistemático,
sem que as feridas doam,
acostumadas em mim.
Atordoada pelas luzes e pelo nada.
Sigo, 
sabendo o que me espera:
clausura sem janela,
tempo sem espera, 
noite sem sono,
pensamento nos livros...

Quando virás, meu bem,
para tirar-me
dessa tontura cotidiana 
que sobrevive apesar da morte?
Estava remexendo nos meus "alfarrábios" e encontrei poemas beeem antigos, dos primórdios mesmos... vou publicar alguns deles para vocês! Beijos da Jana

Há uma parte em mim
que ainda está acordada
anda pela sala
sem saber exatamente onde está
caminho sem volta
guerra na tv
madrugada ambígua
que nunca acaba
no wiskhy diário
e matinal.

Sabes,
às vezes penso que seria bom
estar do lado de alguém
que não soubesse os meus medos
e que fosse ingênuo o suficiente 
para não compreender os meus receios
Inútil tentação que me assombra
e paira como possibilidade
no ar de todos os lugares

terça-feira, 23 de março de 2010

Amanhecia e ele não deixava
De ser eternamente
Uma serpente
De movimentos ágeis
Não era apenas um pesadelo
Era a sua verdade
Entrecortada
Por incompreensões
Era sua nova condição
Não seriam mais admitidas
Precauções tão humanas
Não seriam mais reconhecidos
Motivos tão claros


Amanhecia e eu não deixava
De ser eternamente
Um convite
De perguntas sutis
E respostas nunca imaginadas
Não era apenas um sonho
Era a minha fantasia
Entrecortada
Por precauções
Era a minha antiga condição
Não seriam ainda admitidos
Erros tão imperdoáveis
Não seriam ainda reconhecidas
Realidades tão objetivas

Incompatibilidade
Incólume
Salva de qualquer tentativa

Nos reconhecíamos
Heterogêneos
Para nós mesmos
Não éramos mais um par
Mas desvios de fantasmas
Atentos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Caríssim@s!!! Depois de tanto tempo afastastada, volto com um poeminha novinho em folha para vocês! Saudades de tod@s!
PS: Não esqueci da promessa no post da Hilda Hilst! Em breve, postarei o poema!
Beijos da Jana



Toda poesia oblíqua
Me despe da linearidade
Em que estive mergulhada
Durante tanto tempo

Próteses da linguagem
Real
Se colocam entre
Uma pretensa comunicação
E encobrem as poucas coisas
Que valem
Mais que um vintém

Quantas vezes deixaste
Em minha boca
O gosto amargo do desejo?
Quantas vezes esperaste a
Minha saída para entregar-te
A ti mesmo?

Não era uma noite
Era o prenúncio de um
Cataclismo
Era a ode que faltava
Era o ódio dos tempos

Não era uma declaração de amor
Era um gesto cortante
Um ato impiedoso e sem destino
Era o meu declínio
Era a ausência da primavera
Em plena primavera

Era o pavor do indizível:
Tua ausência em mim