quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Quando penso o ato - 
passso a passo - 
há algo que foge
que escapa indelevelmente 
da inquietação do
meu olhar


Fala-se de língua
e cala-se
sua dimensão de
beleza
e dor


retorna incessantemente
sobre mim
uma palavra tácita
que não pode
ser pronunciada
sob a ameaça da
desvanecência


há um furo
incomensurável
queria dizer e não digo
há um impedimento
feroz
fora da fala
que me paralisa
e me fascina


penso em dois ou três
mortais que me fizeram - 
sem aviso - 
esbarrar na dor
e na sensação do
sem sentido


não há sentido
na sensação.
face do avesso do
outro
que não suporto.

5 comentários:

teresinha brandão disse...

Nossa, Janinha!!! Hum... Sei lá! Obscuro...!
Mas lindo, como sempre! Ao menos eu prefiro a obscuridade à obviedade...!
Misteriooooosa!!!
Rsrsr!!!
Bj, Janinha!
Tê!

vittorio disse...

As vezes me sinto prisioneiro em tuas palavras libertas.
Sei não ser possivel entender o sentido que deste a cada frase.
Deixe-me ir pelos teus versos, mas não te encontrei.

beijos

Janaina Brum disse...

Tê, imagina a situação: último dia do Jornada... eu já estava cansada de ouvir tanta coisa de psicanálise. A Aracy comentou que os psicanalistas fazem ótimos jogos de palavras... recortei algumas palavras do que estava dizendo a palestrante e eis o poema!
Agora, queria eu saber o que as pessoas à minha volta estavam pensando da doida escrevendo os poemas!!!
BEijo, amada!

Janaina Brum disse...

Vittorio, não encontrarás o meu sentido, mas, talvez, o teu...
Grande abraço, Jana

Zisco disse...

Pra que fazer sentido?

A arte nem sempre tem um significado, é bela por simplesmente existir, ainda que não faça qualquer sentido.
A arte é imprescindível sem nececidade de ser útil, ou de ter qualquer significado.