quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Eu sou apenas
uma mulher 
debaixo de uma
árvore
e todas as
convenções 
que isso implica.


Isso.
Eu gosto da palavra
isso.
Traz-me o
obscuro e
o absurdo
dos sentidos.


Os sentidos.
Aqueles que se
espalham e
transbordam 
do recipiente
insípido 
da linguagem.
Sem verbos.


Não são os verbos
que movem minha
ação
e marcam a minha
linguagem,
mas os adjetivos:
eles retornam
inadvertidamente.


Tenho a firme impressão de
que eles - sim, ainda os 
adjetivos - ficam
nas bordas de 
uma sintaxe estanque,
sempre às vésperas de 
dizer o grito.
Sempre sem poder
dizê-lo,
mesmo que ele esteja
ali.


Presença infalível
e sem lembranças:
sobra sempre
esta fúria
sem sentido.

7 comentários:

Janaina Brum disse...

Não vou aguentar ter este segredo só comigo: apesar de a foto não ser minha, mas da Grazi, foi debaixo desta árvore que escrevi este poema!
Dados autobio0gráficos que em nada ajudam (ou limitam) na interpretação particular de cada um(a)...
Um grande beijo a tod@s!
Jana

Anne M. Moor disse...

Jana
Adoro árvores! Elas têm histórias pra nos contar...

Das palavras gosto mais do brinquedo que elas nos permitem fazer com a vida, mesmo quando silentes ou transformados com outras roupas...

Beijão
Anne

RaH disse...

Que coisa linda!
E que bacana vc ter escrito exatamente debaixo desta árvore...

Passando pra te deixar um beijinho!

Janaina Brum disse...

Anne, concordo plenamente! Saudade de ti!
Beijo

Janaina Brum disse...

Obrigada, Rah, o "ELA" está sempre aberto!
Beijinho

teresinha brandão disse...

Janinha!!!! Vieste em "edição de altíssima qualidade" from SP!!!!!
Eba!!!!
Bjs, Tê!

Janaina Brum disse...

Ai, TÊ, amada minha, só tu mesmo! Obrigda, mor meu!