sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ele andava por entre as ruas
por entre as pernas
por entre os povos
ele andava.

Ele sorria ao sentir o vento
por entre os braços
por entre as pernas
por entre os cabelos
ele sorria.

Ele parava ao ouvir as vozes
dissimuladas por entre os ruídos
insignificantes
das cidades.

Ele falava aos que somente
ouviam
ele não os constrangia com o
seu silêncio - estado natural
ele apostava no azar

Ele - impessoal -
abdicava de desinências
e designações
anônimo -
inominável -
ele andava por entre os cruzamentos
e só parava nas esquinas


Ele não pensava nos mortos
justamente porque eles
se sobrepunham a todo
pensamento
a todo intento

Ele sobrevivia a cada instante.

Um comentário:

vittorio disse...

Interessante, profundo, porem inquetante.
Essencial, uma existência sem poder definir-lhe forma, espaço e tempo.
Um existir sem ser, mas em o sendo em tudo estar.
Sem limites pois que supera a própria morte, uma desinência da vida.
Enfim, um mergulho na incomprensão da nosa existência.

beijos
Vittorio