sexta-feira, 2 de outubro de 2009

De repente,
não consigo pensar em nada
que seja muito meu.
Tanta precaução e
tantos sustos nas esquinas,
naquelas esquinas em que
costumamos esbarrar.

Estou vivendo com calma,
acostumando-me ao teu olhar
sem sustos,
sem avessos,
sem tropeços
em pleno ar.

Estou abandonando-me ao olhar.
Mas olha bem devagar
e me preenche
plenamente.

Olha-me nos olhos e dize
que não há tempestade
ininterrupta,
que não há começos sem retornos.
Olha-me.

Estou chegando
neste terreno tão seguro,
tão sutil
e tão sereno.
Estou chegando,
guarda as coisas a me esperar,
ouve uma música bem triste
e sorri:
eu estou chegando
na próxima estação,
irei de carona com o
vento.

Um comentário:

vittorio disse...

Contrastes, infinitos recortes entrecortados de cores de aromas e de sabores
O ver o avesso das coisas é retornar ao ponto inicial após a partida.
É um ir sem volta pois que não fomos, ficamos do outro lado.
Viajamos no ponto de vista diverso
vivenciando o outro olhar sobre as coisas.
Assim são os teus versos, anversos a nos indicar o caminho para um lado oculto do teu eu.

Beijos
Vittorio