quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Tão rápido que não posso tocar

e esse é meu testemunho
acordo na madrugada
e rejeito claridades
mas gostaria de saber o que
dizes tão distante
neste sonho que insiste
em retornar

Está voltando
Retorno em horas
horas cansadas do dia
cansadas de esperar

Fugiste dos tribunais
em que eu era ré confessa
em que eu era
santa discórdia
negando as superfícies

Está fugindo
e eu não posso crer nas claridades
das madrugadas
tantos comprimidos
tantas falas imaginárias
mendigos, divas, divâs
e tudo o mais
as ruas me rasgam no asfalto
áspero
aspereza do olhar

de repente
o sonho tão azul
dos contos de fadas
vira pesadelo
quer ser um pesadelo
e eu não escuto o que dizem
os mortos que retornam

retorno em silêncios
silenciosamente
os pesadelos voltam a ser sonhos
e sem avisos
me jogam na felicidade
que dói de tão absurda
absurdamente silenciosa e
sobrenatural

tenho medo de felicidades
sobrenaturais
caem do terceiro andar.

4 comentários:

teresinha brandão disse...

"me jogam na felicidade
que dói de tão absurda
absurdamente silenciosa e
sobrenatural


tenho medo de felicidades
sobrenaturais
caem do terceiro andar."

Lindo poema, Janinha! Este final me fez associar teu poema com A Insustentável leveza do ser, do kundera... essa felicidade insuportavelmente buscada e, ao mesmo tempo, rejeitada...
Bjão, Jana!
Tê!

Anne M. Moor disse...

Não tenhas medo... As felicidades são escolhas!

Belo poema, como sempre...

Bjos

Janaina Brum disse...

Tê, amada minha! Só tu mesmo para lembrar de coisas tão maravilhosas...
Obrigada pro ser tão... tão... Tê!

Janaina Brum disse...

Anne, querida, até mesmo os medos são escolhas...
Bjs