segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Na contradição das noites
quentes de agosto,
eu viro, reviro, remexo,
acho coisas sem sentido
entre todos os sentidos.
Penso em ti
e me pareces tão distante,
de mim, dos meus sonhos
e dos meus amores.

Encontro vagas companhias
e me apetece uma
noite a caminhar
pelas ruas
a esmo e
sem perigos.

Volto ao passado
e não encontro nenhum
verso
que te remonte.

Ele:
tenho saudades dele
somente quando o vejo
e me assalta um carinho
imperfeito,
pleno de guitarras
e baterias e contrabaixos.

Dói esse sorriso
das músicas sonolentas
e das músicas agitadas
do calor de agosto.

domingo, 30 de agosto de 2009

Hoje,
nada se parece com você,
nem mesmo a música,
aquela música que embalou
tantas ilusões e declarações
de amor.

Hoje,
tudo me distancia da menina,
menina que lia poemas escondida,
aqueles poemas que abalaram
tantas certezas e opiniões
sobre o amor.

Hoje,
nada faz lembrar você,
a não ser a sua ausência,
ausência embalada
pela música
e pelos poemas
que deixei para trás.

Não vou pedir tréguas
nesta briga que comprei
há uns anos atrás,
não quero paz,
quero coração acelerado e
lágrimas e tropeços
e canções e sussurros
nos ouvidos.

E eu intento agora viver,
causa do passado,
sem condenação
e sem clausuras.
Começa agora:

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Hoje resolvi mexer nos meus arquivos... Achei coisas das quais nem lembrava. Dentre elas, o poema a seguir. Interessante ver o que a Janaina de 18 anos pensava, como escrevia... Interessante me deparar com outra Janaina, que tinha outras preocupações, outros ideais e outra forma de escrever, até mesmo ensaiando métrica. Compartilho com vocês esse estranhamento que senti há poucos momentos atrás. Uma boa noite!


Brotou da boca fremente
de um velho, índio, judeu:
Não sei quem é mais demente
se é o resto ou sou eu.

Andou no senso recente
comum que já esqueceu:
O que você acha comente
se for o mesmo que o meu.

Saiu da boa indecente
de algum puritano ateu:
Tenho no sangue latente
só tudo o que Deus me deu.

Lembrou um sábio inerente,
pensante que se meteu:
Ser humano é ser doente
mais no outro que no que é seu.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009


Eu gosto disto:
tantas dúvidas e
tantas noites de espera.
Faço peripécias
e espero luz do sol
no outro dia.
Leio os jornais e
atento para todas as notícias
que podem te conter,
furacão.
Isso! Estou falando contigo,
coração.
É um diálogo e não
um divagar
por entre as pedras
do meu pensamento insano.
Estou falando cara a cara.
Eu leio este jornal,
tu lês este jornal mais tarde,
quando estou nos braços da noite
tão carente e tão
bem acompanhada.
Tu não me compreendes.
Estou falando exatamente disto
que não consegues entender
entre dentes,
entrelinhas.
Estou falando entre dentes
e não estou tratando de
entrelinhas, embora
elas persistam.
Estou falando de sol e de calor,
de sentir-me mais sóbria ao teu lado.
Estou falando de estrelas e de brisas,
de estar menos tensa ao teu lado,
quase nada.
Estou falando e a palavra prende,
agarra-se ao nada,
foge,
deixa-me sem ar.
Não falo de promessas,
mas de pactos.
Do impacto que me causas.
Estou falando do indizível.
Só.
Rigor não compreende.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Noites e dias chuvosos
e temperamentais
eu - intempestiva -
saio à cata de amores possíveis
e rubores potenciais
Gosto das tempestades
e desse ar de aventura
que me trazes
desço do carro
e não há nada mais
que me supere
que recupere
aquela ingenuidade de
quando me conheceste
corro dos pingos corrosivos
e como se não houvesse
mágoas tentas me consolar
Noite em bares
com luzes coloridas
e vozes suaves nos ouvidos
Todos querem me consolar
Fico tão à vontade
no conforto
que me traz a luz elétrica
se ela de repente falta
me dá medo e preciso do teu peito
E isso é porque percebo
que a cor da noite é absurdamente
clara sem os holofotes
e com nuvens
Noites turbulentas
corroídas por alcóois
Fecho todas as janelas e parece
que algo estranhamente falha
Não consigo dormir
me domina uma sensação
estrangeira
de não poder pensar
Ordens médicas
estou proibida de pensar em ti
por duas semanas
Lembras do agosto passado?
Lembras da minha roupa clara
absurdamente clara para o inverno?
Lembras dos ruídos
que te proporcionavam tanto abraço
e coragem?
Não posso pensar
Não me atraias
Não me traias
Trago comigo aquela
vontade urbana de querer
o mar
Não me vejas
sou invisível e se mostrares que me vês
perco meus poderes
Ñão me digas que nada se passou
entre os dois lados deste abismo
Não sabes o que penso das rosas
que me enviam
Não sabes quantos homens
demoraram-se aqui
Escapa de ti o amor que senti
por eles
Escapa-me a dor que abafei
em festas e romances
Escapa a voz que me soou
nesse momento

Escapa...
estou morrendo aos poucos
mas queria ter toda a morte
no final
Paixão transborda em mim
sem destino
e possibilidade

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Tão rápido que não posso tocar

e esse é meu testemunho
acordo na madrugada
e rejeito claridades
mas gostaria de saber o que
dizes tão distante
neste sonho que insiste
em retornar

Está voltando
Retorno em horas
horas cansadas do dia
cansadas de esperar

Fugiste dos tribunais
em que eu era ré confessa
em que eu era
santa discórdia
negando as superfícies

Está fugindo
e eu não posso crer nas claridades
das madrugadas
tantos comprimidos
tantas falas imaginárias
mendigos, divas, divâs
e tudo o mais
as ruas me rasgam no asfalto
áspero
aspereza do olhar

de repente
o sonho tão azul
dos contos de fadas
vira pesadelo
quer ser um pesadelo
e eu não escuto o que dizem
os mortos que retornam

retorno em silêncios
silenciosamente
os pesadelos voltam a ser sonhos
e sem avisos
me jogam na felicidade
que dói de tão absurda
absurdamente silenciosa e
sobrenatural

tenho medo de felicidades
sobrenaturais
caem do terceiro andar.