quarta-feira, 22 de julho de 2009


Pensando bem
eu posso controlar instintos

pessoas pretendendo
amores
dizem eu te amo
e querem tanto
a eternidade

pessoas que significam
mais
muito mais que simples
eu-te-amos
em lugar de banais
'bons-dias'
merecem um tempo
antes de ouvir a tentativa do
indizível
o eu-te-amo é um
ensaio
ensaio
para o melhor momento
aquele em que não se pensa
e não se diz

pretensos amores
rubores antigos
gestos perdidos

eu não penso
nos desafetos
mas nessa mágoa que
eles me causam
eu não penso em amores
quando eles existem em mim
mas quando passam
sim

no meio da rua
olho para os lados
e é tarde demais
não vou enxergar nada

na livraria
alguém pede uma dica
dica para dias solitários
e não há
não há resposta
frio não apetece

no calor
esta sensação é algo
improvável
me leva dessa nuvem
nuvem de fumaça
e sons noturnos
me leva daqui
estou escurecendo

uma bactéria foi descoberta
e foi a descoberta do ano
capaz de encantar
nada entra nos ouvidos
processo químico de
soluços milimétricos
e mil soluções

e o sem sentido
de repente
aparece como o
único caminho
úmidas manhãs de fevereiro
de repente abre-se a porta
escancara o que o outro vê
caminho do sentido:
sem sentido

e ele dança todas
as músicas da última estação
foi-se gosto refinado pelas artes
acabou ideário de esquerda
e Ernesto no peito
e ele dança, dança,
esquece os revolucionários
abandonados nas paredes
do seu quarto

e ele canta
alto como se quisesse
se convencer
dos fatos

e ele cansa
de ter seus gritos ecoando em
seus ouvidos
e a morte retornando
intensamente na minha
insistente figura
quase sobrenatural

e ele
drama
deita na cama e quem o
conhece não deixa
não existe
solução convulsa
para todas as tonturas
em todos os matizes

e ele chora
na segurança das cores frias
nem mesmo o chão
artificial do jogo
de xadrez
pode ampará-lo
na sua queda

queda em almas
de repente
segura na borda
mas os dedos endurecem
e viram gelo
emoção
transborda
na virada do milênio

acorda
não te farei ter medos
não te direi segredos
não te mostrarei quem és
parti nesta madrugada
eu fui
em uma viagem transcendental

não te colocarei em risco
podes parar com os comprimidos
eu sou somente
uma lembrança
eu não existo
apenas um fantasma

te trago flores em todos
os sonhos
pesadelos
retorno em quedas
em frações de segundos
em olhares de relance
um fantasma
eu não existo

te entreguei minha alma
a te atormentar
um fantasma
eu não desisto
volto a assombrar
e és tu quem quer
não eu

não te vejo
mas tu me vês
por mais que eu queira
foge a imagem
última imagem que
tenho de ti
tanto tempo

não te roubarei o
futuro...

eu posso controlar instintos
mas não,
prefiro o alvoroço.

8 comentários:

Anne M. Moor disse...

O teu aluno te fez um favor! Que poema lindo... Adorei o fluir do sentir que jorra de ti a fazer uma história de vários momentos.

Parabéns! Lindo!

Zisco disse...

Guria, isso é quase um vôo, mas é melhor não tentar se segurar nessa queda.

"e ele
drama
deita na cama e quem o
conhece não deixa
não existe
solução convulsa
para todas as tonturas
em todos os matizes

e ele chora
na segurança das cores frias
nem mesmo o chão
artificial do jogo
de xadrez
pode ampará-lo
na sua queda

queda em almas
de repente
segura na borda
mas os dedos endurecem
e viram gelo"

Voar é um cair sem chão.
Isso é possível nesse teu espaço, a morte vem por se amparar a queda.

Janaina Brum disse...

Um grande favor,Anne, estou aprendendo muito com tudo isso!
Obrigada por estar sempre aqui (e no Ava! Rsrsrs!. Beijokas

Janaina Brum disse...

Eu não me seguro, amigo Zisco,não me seguro, como tu!
Beijos!

teresinha brandão disse...

Partiste...?
............
LINDO! Mas que fôlego, Janinha!
LINDO!
Bj,
Tê!
PS: Partiste...?

vittorio disse...

Perturbador teu poema, um labirinto de emoções.

Profusão de sentimentos a jorrar a esmo paixões incontidas.

Perdi-me nos descaminhos das imagens a iludir meus passos.

Procurei entender-te e me enredei nos precipícios do teu ser.

Parei, pensei, clamei por um único momento de silêncio

Perplexo senti a alma ir-se distante esvair-se lentamente.

Procurei em vão acompar-lhe os passos

Prostrei-me cansado pelo longo mergulho na eternidade

Pendurado nos fios de teus versos
a tecer o poema da alma humana.

Beijos
Vittorio

Flavio Ferrari disse...

Que turbilhão ... lindíssimo.

A Palavra Mágica disse...

Janaína,

Para definir o que senti ao ler teu poema vou usar duas expressões já conhecidas:

Tensão total.

Beleza Pura!

Parabéns!

Beijos!
Alcides