sexta-feira, 31 de julho de 2009


E se não é a arte esta coisa de nos
identificarmos sem saber exatamente em quê?
Este estranhamente familiar
que nos leva em arrebatamentos por segundos?
Era só um filme...
um filme de romans, de pedros, de fernandos,
de espanhas, de méxicos, de franças e de saxões
familiarmente estranhos,
logicamente insanos.
E eu me vejo, me amo, me arrebato
te vejo, te odeio, te desperto.
Não é só um filme...

Definitivamente, não podes me perdoar,
ao que eu questionaria,
cairia a teus pés.
Não podes me perdoar pois estamos neste instante
definitivo em que é impossível perdoar erro tão grotesco.
Exatamente porque estar aqui é um erro
imperdoável.
Estamos neste extremo em que não há mais
respostas,
não há perguntas, não há razões,
só há comprimidos,
mas não cura.

Olho pela janela e me assalta uma dor
amortecida por este céu tão doce.
Não há quem possa sofrer
sob um céu tão doce...

De repente, acordo assustada,
temo as premonições.
Agora te pareces com um fantasma.
E eu tenho medo de fantasmas.

Quero tanto que o barulho do chuveiro
se pareça somente com esse cair de águas
sem sentidos e sem futuros.
Tempestades.

Te surpreendes com meu rosto?
Acharias possível evitar este encontro fugaz?
Pensaste em mim nos últimos meses?
Como dormes sem meu abraço?
Tudo se repete.
É tudo igual, tudo como antes.
Só os sentidos mudam e mudam constantemente,
escapam.
Tudo o mesmo no papel, mas há algo que excede
esse testemunho:
Amor transborda.

13 comentários:

teresinha brandão disse...

Janinha... indescritível...! Lindo + lindo + lindo + ad infinitum de lindos bastariam?
Ad infinitum de lindo!
Bj, querida!
Tê!

Ricardo Kersting disse...

Extremamente belo Janaina.
Se não tivesse lido mais nada escrito por ti poderia chamar de surpreendente. No entanto, não me surpreenderia, apenas me colocaria num estado de solidão voluntária e nem sei qual a razão disso. Talvez seja por imaginar teus olhos enquanto escreveste, pode ser que não derramassem uma gota sequer, mas as tuas palavras o fizeram.
Abraços guria.

Anônimo disse...

Ao ler teu poema,me vi perdido naufrago em tuas tempestades
Senti a solidão do corpo e a imensidão do amor na alma.
Vazio imenso repleto de inquietude, a transbordar em cada veia vagas de saudades.
Sobrevivente, agarro-me aos sonhos para viver o que me foi negado
Sagrados e profanos são os desejos ora
nascidos de infinitas imagens
Estarei louco, como é possível amar um sonho?...
Viver cada momento imensamente, que se faz dor o despertar.
Reluto não quero ficar sem teu olhar, sem teu perfume, sem o calor molhado do teu corpo junto ao meu.
É imenso o meu amor, assim como deveria ter sido o teu.
Fantasma de minha vida, algoz de minha alma, de tanto te amar... te perdi.


Teu lindo poema me fez sonhar


Beijos
Vittorio

A Palavra Mágica disse...

Janaina,

Quando o amor transborda é impossível a gente se calar.

"Não dá mais pra segurar
Explode coração" (Gonzaguinha)

Beijos!
Alcides

Anne M. Moor disse...

Jana,

O amor é o que nos sustenta,
o que faz nossas asas abrirem-se
o que permite vôos surpreendentes
e o que nos aninha na hora do naufrágio!

Belíssimo poema...

Beijos

Flavio Ferrari disse...

Temo as premonições.
As que se cumprem, pelo fatalismo; as que não se cumprem, porque atestam a minha insanidade.

Janaina Brum disse...

TÊ, obrigada, só uma mãezona minha como tu para me bajular tanto! ^^ ;*****

Janaina Brum disse...

Ricardo, não houve uma lágrima no momento da escritura, mas lembrei de muitas, em muitos momentos, certamente!

Janaina Brum disse...

Vittorio, sempre escrevendo lindos poemas por aqui pelos comentários! Gostaria de ver teus escritos reunidos...

Janaina Brum disse...

Não cala, Alcides, não cala...

Janaina Brum disse...

Anne, vivemos para isso...

Janaina Brum disse...

Flávio, não acredito em premonições... mesmo que se realizem, penso que sõa ilusões, criações de minha mente... mais confortáfel assim...

teresinha brandão disse...

Janinha, este tá liiindo, liiiindo, lindo! Posta lá no Tear?
Bj!
Tê!