quinta-feira, 18 de junho de 2009

metáforas não me atraem
me traem
me descobrem
levam cobertores
e edredons
metáforas me encolhem
me escolhem
me acordam
e eu
acato

quarta-feira, 17 de junho de 2009


Mais próximo das nuvens
que de mim
Para que tanta
febre
em dias tão normais?
Alerta urbano
chamem os jornais
assiste-se a mais um drama
suburbano e psicológico
chamo o perigo
e intento
chamar a atenção de dois ou três
mortais
vocês não sabem que
eu os engano
volta febre

terça-feira, 16 de junho de 2009


Conto histórias somente
no que chamamos vulgarmente
de entrelinhas

meu espaço é aberto
renego todo limite
e toda fronteira é
uma linha imaginária
entre outras linhas
o Sentido é uma
ilusão

agora que libertei meu verso
posso vestir-me de lilás
e ninguém notar


agora que inventei reais
posso libertar-me do meu
verso

há muito não sinto
vergonha da poesia
estampada na cara

poemas não me dizem
dizem mais

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Oi, Pessoas! Hoje é dia de fazer convite!

Eu e a Teresinha Brandão abrimos um blog que tem por intuito tratar de questões de linguagem e literatura, voltado para pessoas interessadas nas Letras... Aqui, eu escrevo poesia, lá estou escrevendo sobre poesia, bem como sobre outros assuntos...
O
Tear de Sentidos está aberto para os leitores do Entre a loucura e a arte! Apareçam por lá, comentem, podem sugerir assuntos, etc.

Beijinhos a todas/os, Jana

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Agora sofro de insônia.
E tenho a impressão
de que isso significa mais.
Além.

E quando durmo
sonho sonhos inusitados
com pessoas inusitadas
e me assalta
um carinho diurno
e infinito.

Saio na rua e procuro -
sonhos se parecem tanto
com premonições.

Saio na rua dispersa -
esperas se parecem muito
com eternidades.

Pessoas que eu via -
superfície -
todo dia
se tornam importantes
quero sabê-las
sentar e tomar um café.

Me assalta esse carinho
insone.
Vai além.

terça-feira, 9 de junho de 2009


Te vejo no trabalho
aspiras tanto
cargo administrativo
e eu não suporto escritórios
troco minha cadeira de presidente
por tua vista diária em pé
pegando vento
e sendo gente
só olharei a tela de óculos escuros
quero discussões calorosas
sábado às oito da matina
e é por isso -
só por isso - que vou
ao teu encontro
contagem regressiva
sentarás na cadeira
de presidente
e eu estarei feito pássaro
entre os pássaros
habitat natural

quinta-feira, 4 de junho de 2009


Pelo pouco espaço
que resta,
faço um poema
sem intenção
de dizer,
embora alguns
tenham a esperança
de que um dia
ele -
luz no fim do túnel,
negação do óbvio,
afirmação do sobrenatural -
dirá.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Universo de conclusões precipitadas
me circunda.
Se o céu é azul
deusas e deuses e
anjos e anjas
são azuis também.
Se a página é branca
branco é também
meu verso.

Há pouco fiz uma
grande descoberta
(já me sondam para o
Nobel):
borboletas amarelas
são pequenas partículas
de poesia
rondam meus poemas.

Um dia, escreverei
um livro de borboletas
amarelas
deusas e deuses e
anjos e anjas
amarelos
e mais versos e
mais páginas
da cor das borboletas.
Fim do dia
e eu não vejo nenhum arco-íris
entre os prédios
entre os altos e baixos
prédios da rua
do dia.
Ninguém olha para os lados em dias frios.
Roupas cinzas
rostos cinzentos
nenhum sorriso.
Quem disse que eu te daria bom dia?
Quem disse que teu dia seria bom?
Antes, a culpa era minha
Agora, me deleito
sem remorsos
sem saudades
sem amores.
Espero o retorno dos
junhos
uns sobre os outros.