terça-feira, 28 de abril de 2009


Situação embaraçosa
coração descompassado
eu achei que seria fácil
não previ o maremoto
as pedras se entrechocando
paralisia
desci as escadas
tapete vermelho me chamava
"é a hora
não tem volta"
eu não previ a volta
não quis voltar
te vi na ante-sala
tremi na ante-véspera
paguei antecipado
notas
notaste que mudei?
notaste o maremoto?
anotaste meu pedido?
te vi na ante-véspera
tremi na ante-sala
pedi calma
e fechei os olhos
"é a hora"
tenho medo
de pontos finais

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mais três poeminhas na praça Cel. Pedro Osório


Queria estar presa e a liberdade me afagava,
passava nos cabelos.
Dia bonito e cinzento
Os ortodoxos não me entendem.
Gosto de almoço verde
e amizade no entorno.
Os intimistas não me entendem
e os anarquistas também não.
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Nunca produzi tanto.
Seria a teoria me instigando?
Ou o avesso?
Vontade de abolir todos os poemas
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Crítica literária
não
bem posta
mesa?
faz-se um poema a cada dia.
Me assalta
este lirismo.

domingo, 19 de abril de 2009

Três poeminhas enquanto espero almoço amistoso e natureba


Queria carícia
e a poesia não deixa
paralisa todo intento
essa mania
de querer capturar
todo momento

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O céu cinzento
da praça
de verão
com flores
calor insuportável
faz descrer
inverno rigoroso
do sul
espero, escrevo
poesia me consola
espero amiga
para confissões ecológicas.
Na frente da teia.
Quem seria Ariadne?

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Volta paranóia
de não assinar o nome
nos poemas.
Seriam meus?
Reinvento
e ponho a data.

quarta-feira, 8 de abril de 2009


"E, por estarem assim justas e
contratadas,
assinam o presente em duas
vias
de igual teor e forma"
Foi quando eu fugi da Justiça
e da Iniqüidade.
Justa, justa e tão justa
que saia-justa,
que eu saia justa,
pule,
me atire pela janela,
sem embargos
à execução.

Duas vias
por qual delas?
por qual das duas darei
o salto final?
sinal de inaptidão para o direito
e para as linhas (vias?) retas
concretas e monótonas
teor sem igual e sem forma

não há norma que governe o poema