segunda-feira, 9 de março de 2009

O que você pensa dizer ao dizer INCLUSÃO SOCIAL?




Quando a Esther me propôs o tema da blogagem coletiva, eu fiquei um tanto perdida. o primeiro impacto fez pensar "pô, legal". Mas o tema logo começou a me instigar... "Inclusão social" é expressão que está na moda, na boca de todos os demagogos profissionais do país (e provavelmente de fora dele)... O que eu - meio poeta, meio lingüista - poderia dizer sobre esse tema? Questionamentos e questionamentos iam em um crescente desconforto. O que eu posso dizer sobre isso? Quem sou eu para falar disso? Para quem estarei falando? O que eu entendo DE inclusão social? O que eu entendo POR inclusão social? Há alguma coisa contifa na expressão em si? O que querem dizer quando enchem a boca para falar de inclusão? Mais: o quenão querem dizer? As perguntas não parariam por aqui, mas o parágrafo já pede um fim.

Confesso que num primeiro momento pensei estar a Esther "indo na onda" daquilo que está "na crista da onda". Mas o "mistério" da inclusão não se contentava em minha cabeça com essa resposta. Foi então que pensei na imagem que a Esther possivelmente fazia de mim e dos outros a quem convidou para a blogagem. Nós nos conhecemos apenas virtualmente, temos algumas coisas em comum, mas sequer sabemos a profissão uma da outra. Somos poetas e isso basta para que estabeleçamos contato. Pois é, somos poetas... O que uma poeta tem a dizer sobre inclusão social? Aí estava o cerne das respostas às minhas questões: o que a Esther me propunha não era somente um papo qualquer em um lugar qualquer sobre o tema, mas um colocar-se na posição de POETA - como ela me conhece - para falar sobre algo de que todos falam. Muito bem, estou aqui, não sei ainda exatamentepara quê, mas o fato é que escrevo para a blogagem.

Não é a Jana estudante quem fala. tampouco a professora, a amiga, a namorada, a filha ou a menina politizada: é a Jana que se quer poeta, embora saiba que todos os outros papéis que assumo estão implicados aí. Recentemente, descobri meu principal intuito como poeta: QUESTIONAR. Eu questiono tudo; há quem diga que sou crítica demais e desconfiada ao ponto de ser taxada de paranóica. Pois bem, eu gosto de ser assim e é dessa posição que vou falar de "inclusão social". É tempo ainda de desistir, leitor, posso ser um tanto quanto chata e talvez não vá dar respostas, mas instigar ainda mais suas inquietações. Bom, eu gosto mesmo é de "desconstruir" (desculpa, Derrida, não agüentei...). O que quero dizer com isso é que não vou propriamente falar sobre o tema, mas sobre o que falam sobre ele. Quando falamos "inclusão social", estamos mobilizando saberes cuja procedência não podemos precisar. Quem fala, vale dizer, originalmente em "inclusão"? Com essa pergunta, fica claro que não falarei sobre inclusão, mas farei o que talvez alguns de vocês chamarão de "metalinguagem". Mas, se fujo do tema, é propositalmente que o faço.

O negócio é complicado. Ainda estou enrolando, mas agora vai... A gente tem ouvido falar muito em inclusão social de negrosm de pobres, de idosos, de deficientes. Da mesma forma, ouvimos falar em inclusão no mercado de trabalho, na educação, inclusão digital, etc., etc. INCLUSÃO é a palavra-chave da virada do milênio. Para mim, a idéia de inclusão já pressupõe uma exclusão que é mais do que conseqüência de um sistema falho, mas característica necessária e inextrincável dele. A noção de sistema capitalista já traz em seu bojo a exclusão, como parte pertencente à maquinaria cujas falhas só a fazem ser mais eficiente. A exclusão é necessária ao capitalismo. Com isso, a dicotomia exclusão/inclusão social só pode provir de um mesmo discurso: o discurso do capital, do mercado, sejam quais forem suas especificidades.

Conscientemente ou não, creio que a expressão em pauta provém das próprias instâncias de poder, que oprimem e que excluem. Não se trata aqui de negar muito do que se tem feito em nome da INCLUSÃO SOCIAL por ongs, escolas e pessoas que pensam realmente em "ajudar", em "agir pelo coletivo", em "melhorar as condições do todo", mas de perguntar quem nosdá esse discurso e com que intenções. O mesmo poder que exclui e segrega os cidadãos fornece sentidos para o sintagma"inclusão social". em outras palavras, é o poder que pode "incluir", pois exclui sistematicamente. As instituições que nos falam e falam por nossa voz em inclusão são instâncias às quais estamos submetidos e cujo discurso incorporamos sem pensar, como se fosse nosso.

Não quero dizer que não pertenço e não estou submetida a esse sistema capitalista: sou filha dele, sua descendente direta. Mas não é por isso que não vou questionar; questiono o funcionamento social e as palavras desse funcionamento. De que boca sai a palavra "inclusão"? Daquela mesma que me criou e quer me engolir. Não é fazer drama, não. Pensar um pouco no que dizemos e no que dizem através de nossa vozé necessário para refletirmos sobre uma série de coisas, talvez sobre todas. Sou fruto do capitalismo e, por isso, me sinto apta a me revoltar contra ele. Inserida no sistema, tento olhar para ele como se estivesse fora. Mas, mesmo sem tal esforço, podemos ver que algo vai mal. Não quero ser incluída em nada - sujeito passivo. Fazemos por n[os, governantes! E isso a que vocês chamam "INCLUSÃO". como se fosse caridade, é apenas o efeito de muitas obrigações não cumpridas. A "inclusão" mascara uma série de coisas que vai mal, deixando o povo agradecido e orgulhoso dos patrões tão bonzinhos. Definitivamente, eu não quero ser incluída por esse sistema!

Acho que as pessoas devem se ajudar, não me entendam mal. todos devem ser iguais, mas não uns mais que os outros, como dizia no celeiro de Orwell. E digo mais, não é esse sitema que está aí e que estufa o peito para falar "inclusão social" que vai mudar o que ele mesmo criou em sua eficiência e auto-suficiência. Não há um pai ou um "grande irmão" que fará por nós e incluirá mulheres e juvens no mercado de trabalho, deficientes e indígenas no ensino, marginais no centro. Se houver, desconfiem, algo querem de nós e as conseqüências serão certamente onerosas. Não se deixem incluir como se estivessem recebendo uma dádiva. Não o é. Nós somos o sistema, mesmo que queiramos fugir dele. Nós é que devemos ser ativos, não podemos ficar esperando gestos paternalistas para sermos "incluídos". Aliás, onde seríamos incluídos? Por quem? Paraquem? Não saberíamos ao certo.

Não posso dar conta de tudo que digo quando digo "inclusão social". O fato é que dou voz a um discurso que me incomoda e que me escapa, vem antes de mim. Nomar "inclusão" é sublinhar o caráter inerente da exclusão ao sistema. quem inclui, exclui em um só movimento. Não quero mais. Não quero mais o sistema como está, o modo como as coisas são colocadas e são (mal)feitas com tanta naturalidade. Não sei o que digo quando digo "INCLUSÃO SOCIAL". Não quero mais dizer.

E vocês, leitores, o que pensam dizer quando dizem "INCLUSÃO SOCIAL"?

34 comentários:

Cecília disse...

Oi Janaina!
Quando a Ester me fez o convite também tive este primeiro impacto de achar legal, mas depois, parei e pensei se saberia abordar o tema, se sabia realmente do que se tratava o tema Inclusão Social, claro que refletindo um pouco vi que não só conhecia do assunto como tinha uma opinião formada e principalmente, tinha na família e na vida profissional exemplos disso e foi justamente neste ângulo que abordei o tema, minha vivencia pessoal.
Gostei muito do post, parabéns pela abordagem!!!


Beijos!

Compondo o olhar ... disse...

bela abordagem... gostei muito do seu texto. parabens!!

tbm estou participando, dá uma olhadinha!!!

abraços

Christi... disse...

Gostei da forma que se expressou, dos questionamentos que fez a si própria, essa é a importância de se pensar em conjunto, de se avaliar assuntos, que talvez estejam em voga, mas que na verdade, estão mais no profundo que no raso do mar.
Muito interessante a postagem

Grande beijo,

Chris

Zisco disse...

Que bela aula de filosofia, sociologia, história, e mais um monte de coisas, wow!

Citando Orwell e tudo mais, vc é gigantesca, uma verdadeira Mestra!

Deus existe, e deve ter sido teu aluno, kkkkkkkkkk!!!!!!!!

P.S. a gora que desconstruiu tudo , faça o favor de juntar os cacos e varrer o chão.

Cristiane Marino disse...

Que maravilha! ao se questionar nos fez fazermos o mesmo!
Deu até uma desestabilizada rs!

Parabéns!
Se puder me fazer uma visita! também estou participando da blogagem coletiva!
Beijos

Janaina Brum disse...

Obrigada, amigos, li os textos de todos vocês, todos muito interessantes!
Zisco, que bom te ter aqui de novo! Andavas sumido, eu estava com saudades!
Beijo no coração de todos vocês!

Mari Amorim disse...

Olá,
adorei seu texto,
estou participando da blogagem coletiva,
ficarei feliz com sua visita
beijos no coração
Mari

Cecília disse...

Oi Janaína...
Até onde sei a participação do governo só atinge à Rita, ela tem direito a andar na frente do ônibus com um acompanhante sem pagar passagem, porém não lembro se em eventos culturais é isenta de ingresso ou se paga meia entrada, realmente não lembro, seu tratamento de saúde assim como o do Guga são custeados pela família, Rita tem direito a uns remédios, mas o Guga, não sei. Sobre o Guga não sei dizer muito, infelizmente não tenho muito contato com a família de meu pai.

Beijos

Fatima Cristina (www.fccdp.com) disse...

Oi Janaína,
Sim, a projeto de inclusão só existe por que antes houve a exclusão social oriunda de muito preconceito e má fé.
Estou gostando muito de ler os vários e diferentes posts desta coletiva. E como eu sempre finalizo os meus comentários...
Espero viver o dia em que o acesso as oportunidades da vida chegue a TODAS as pessoas, com igualdade de direitos e benefícios.
Abraços, Fatima

Cadinho RoCo disse...

Para o Governo Lula inclusão social é produto de barganha. Ele dá a inclusão e você o voto, não mais que isso, simples assim. Para os que se sentem excluídos a inclusão é via de facilidades para excluírem dificuldade porque passam. Para os que se sentem incluídos, inclusão social é fazer parte de um esforço comum para que todos possam comparecer cada qual com a sua contribuição. Para mim, inclusão social é atitude íntima, pessoal, independente. Sem a inclusão pessoal, nada feito.
Cadinho RoCo

Philip Rangel disse...

Muitas vezes pergunto como que simples atos de verdade como foi desempenhado pela Ester, nos faz entrar nesse mundo magico de verdade; esse mundo que ao mesmo tempo falamos de algo serio, encontramos novos amigos, novos conteudos. Isso se chama mudança, isso é incluir na sociedade, mostrando o que somos capaz. E hoje ao ler seu conteudo deparo com varias suspresas como essa, que faz eu parabenizar a vc.. pelo excelente trabalho...

Continuemos....abraços

Andréa disse...

Janaina, seu texto é longo e a princípio me assustei pensando ser alguma tese rsrsrsrs. Adorei ler e seus questionamentos, e até o antes dele, o que pensar de vão de encontro a alguns pensamentos meus. Valeu pela reflexão partilhada ! Bjs!

Flavio Ferrari disse...

Muito bacana a postagem, Janaina.
Sob o pretexto de inclusão social andamos praticando farta discriminação.
Na prática, todos são socialmente incluídos.
Favorecer uns em detrimento de outros não resolve nada.
Fiz duas postagens recentes sobre o tema lá no Arguta e convido-a a ler.
O primeiro sobre a "maioria excluída":

http://arguta.blogspot.com/2008/11/maioria-excluida-roteiro-para-um-curta.html

O segundo sobre os efeitos da crise econômica:

http://arguta.blogspot.com/2008/11/libert-galit-fraternit.html

Beijos...

Francisco Antônio Vidal disse...

Oi Janaína, eu não me incluí neste pool de blogs, mas posso dar minha opinião.
Só com essa primeira frase já dei minha visão, mas posso explicitá-la mais.
A inclusão é um tema coletivista, e é reação à chamada "exclusão" do individualismo. Já que o capitalismo exclui, agora vamos incluir.
É ver o Estado como uma casa grande, onde há poder e riqueza, mas tem as portas fechadas à maioria. Inclusão é abrir as portas a todos. Mas isso não é possível, pois alguns não querem, outros não sabem, ou não conseguem. Nunca todos vão estar incluídos nessa casa, mesmo que as portas estejam abertas.
Então o melhor enfoque da inclusão é observar a atitude da pessoa, sua iniciativa quanto à possibilidade de entrar nessa casa.
Alguns serão levados como ovelhinhas, outros irão aos poucos, outros desconfiarão e não quererão aceitar convite algum.
Quem abre as portas se sente bem por isso, mas poderá querer fazer mais e mais convites, forçando a barra, para legitimar-se.
Assim, vejo o assunto pelo lado psicológico, tentando evitar o político e o religioso. Mas a colocação é originalmente econômica, pois esse tema se refere principalmente - para o enfoque predominantemente marxista que o coloca - a participar no poder aquisitivo. Ora, se é colocado pelo marxismo é porque aponta a uma crítica ao capitalismo, e não para obter uma verdadeira e plena inclusão dos seres humanos, já que o coletivismo não pode, por definição, dar plena liberdade às pessoas.
Fico com os ideais da Révolution, que resumem a perfeição nesse sentido: Liberdade para as pessoas, Igualdade para o grupo, Fraternidade para a síntese e a união dos seres humanos.

Zani disse...

Oi tbem estou participando da blogagem.
Parabén pelo seu testo, é maravilhoso, vc conseguiu expressar o que é exatamente exclusão e inclusão, pois a inclusão só existe pq há exclusão.

€ster disse...

Olá querida Jana!

Em nenhum momento duvidei que vc faria uma grande postagem, mesmo 'desconstruindo' o dito 'normal',

vc cumpriu rigorosamente e talvez sem querer minhas pretensões nessa blogagem, colocando seus questionamentos e idéias para fora, de forma espontânea e sincera,

gostei muito do seu texto, parabéns!
vc é a primeira lingüista poeta que conheço, e isso é charme!

Quando digo Inclusão Social,
vejo um bandeira se erguendo e pessoas sendo libertas da escravidão,
sendo respeitadas e tratadas com dignidade,
vejo sorrisos se abrindo como botões de flores,
feridas sendo curadas, corações sendo doados e não dinheiro,
vejo entrelaçamento e sentido de viver, (sem demagogias)

foi vc quem perguntou..rs


bjs,

Maria disse...

FICA COMIGO ESTA NOITE

Pobre pássaro
tu que cantas para mim todos os dias,
sem fantasias
grandiosa poesia
alegria em dias pardos
uma multidão de luzes
e- pensamentos estavam lá-(...).

Janaina Brum disse...

"Cadinho", acho que a exclusão/inclusão é algo que excede qualquer goverso, seja ele do PT, do PSDB ou do PQP. A própria instituição, quase a-histórica, pormove esse tipo de coisa de que falas... Essa história de "barganha" me parece, me desculpes, discurso de oposição... Abraços, Jana

Janaina Brum disse...

Cecília, Fátima, Philip e Andréa, que bo tê-los aqui participando da discussão! Já-já darei uma olhadinha nos textos de vocês!

Janaina Brum disse...

Flávio, concordo plenamente contigo... fala-se em inclusão no mesmo movimento em que se discrimina muitas camadas da população! "Inclusão das mulheres no mercado de trabalho"! Comigo não, não preciso disso, não preciso, porque sou "mulher" e "frágil" da ajuda de quem quer que seja... esse discursinho machista é só um exemplo...
Vou dar uma olhadinha no Arguta, sei que é sempre uma ótima leitura! Abraços!

Janaina Brum disse...

Francisco, muitas vezes acontece estarem as portas abertas pela própria impossibilidade de chegarmos a ela... é aquela coisa, todos têm acesso aos textos legais, por exemplo, mas quem os entende? Poucos, muito poucos...
A questão da atitude é interessante, como me porto frente às portas abertas do poder? Há, penso, uma injução silenciosa que a alguns paralisa... a outros faz enfurecer... e a outros agrada...
Esses convites sucessivos, como acontece, acho, com a história de inclusão, é exatamente isso que dizes! Um meio para alcançar legitimidade!
Eu acredito, Francisco, que o lado "psicológico", como dizes, é inextrincável ao lado político e ao religioso... não podemos separá-los na prática, com o risco de termos categorias de análise vazias... não sei, a psicologia resiste a isso, quem sou eu para falar, não é?
Obrigada por participar das discussões, toda vez que apareces por aqui algo brilha! Abraços, Jana

Janaina Brum disse...

Zani e Maria, origada pela visita!
Esther! A menina que me deu a possibilidade de escrever e, conseqüentemente, de pensar sobre "inclusão social"! Olha, eu sonho com um mundo em que ninguém precise ser incluído, em que não haja um centro (de poder) e as margens... o teu ideal é também o meu, só prefiro não dar a ele esse nome de "INCLUSÃo SOCIAL"
Bj no coração!

Mírian Mondon disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mírian Mondon disse...

Menina!!! Então voce é voce é voce? rs
Já conhecia sua foto do blog da Ester e agora estou conhecendo um pouco mais de voce.

Quando comecei a sua leitura pensei:
"Ai ela vai me enrolar até o fim..." Lá para o meio da leitura, já estava pensando: "Ela pode me enrolar até o fim que vou adorar" No final pensei: "Ela desenrolou a coisa muito bem!" :)

Parabens, e não preciso dizer que gostei, ou preciso? Voce escreve, e gosto do seu estilo. Voltarei com certeza!

Prazer em te conhecer, sua colega linguista!

Abraços!

LiLi disse...

Continue a questionar!!!
Vc provoca questionamento no próximo e isso é sempre mt bom!!!!!!
Cabeça foi feita p pensar!
BJu!!!

Janaina Brum disse...

Mirian e Lili, obrigada pela visita! Serão sempre bem-vindas! Ainda bem que eu enrolo direitinho, não é, Mirian!?? Bjs

Ricardo Kersting disse...

Oi Janaína,
estou aqui no vigésimo sétimo lugar desta imensa lista tentando incluir o meu comentário. Na verdade estou tentando ser quase tão bacana quanto foste! Não nutro muitas ilusões quanto a isso. O nome do teu blog é muito legal, e eu acho que todos estão entre alguma coisa e a loucura, nem que seja a loucura dos outros.
Sobre o tema da inclusão eu tenho dificuldades para pensar sobre isso, pela simples razão de ser de uma geração que não viveu um sistema tão excludente quanto o atual. Os jovens da época de 60 e 70, tinham uma luta também muito ingrata que era contra uma ditadura. Porém nós tínhamos uma grande vantagem, sabíamos que a nossa vitória iria acontecer dia menos dia. Era uma luta de jovens contra um inimigo conhecido, hoje é uma luta de todos contra um inimigo invisível. Muitos de nós, os "velhinhos" já estão aposentados e realizados, pelo menos os que chegaram à faculdade tentam não perder o pouco da dignidade que não lhes foi roubada nos cárceres da vida. Quando comentei no blog da Lili me detive mais na questão do preconceito que considero um fato gerador de exclusão muito incisivo, claro que não é só isso. Até nem sei se o preconceito gera exclusão ou é ao contrário, não importa. Tenho convicção que esse tema está sendo discutido pelas pessoas erradas, não que devamos calar, temos que discutir sim, mas às vezes esquecemos que há pessoas que "pagamos" para isso e que possuem recursos e mecanismos para tal e não o fazem. Quando lembro da minha juventude eu penso que hoje nada do que fazíamos naquela época teria qualquer efeito, não sabemos lutar contra esse tipo de inimigo. Com um microfone na frente da reitoria fazíamos cair uma bomba entre os poderes, agora, nossas músicas de protesto, nossos discursos inflamados ou nossos encontros apoteóticos não seriviriam para nada além de chacota. A população cresceu, cresceu a sua necessidade, cresceu a intolerância e a falta de tudo. Poucas pessoas sabem que " o mundo não produz alimento suficiente para alimentar toda população mundial ao mesmo tempo". Seja, se os mais de seis bilhões de pessoas resolverem jantar no mesmo horário, não haverá comida para todos!! Exagero?
Infelizmente não. Inclusão social, com essa produção exacerbada de população faminta? Não sei o quê pensar. Cada um individualmente fazer alguma inclusão? Seria muito bom, mas há prioridades para cada um, é duro dizer isso, mas infelizmente a inclusão não está incluída. Meu Deus dei uma rolada no comentário ele está enorme. O assunto é palpitante, atual e outros adjetivos que não me ocorrem. Desculpa o discurso e abraços.

Sonhos & melodias disse...

Oi Janaina,
Em primeiro lugar, que belo texto e quantas provocações! mas é isso que conta: provocar para pensar, questionar e se chegar a uma conclusão. Mandou muito bem! Adorei conhecer seu blog e seus pensamentos de poeta. A vida precisa mais disso. Também estou participando. Vem me visitar.
Bjs

Janaina Brum disse...

Ricardo, obrigada por aparecer aqui, com certeza o "Entre a loucura e a arte" se sente muito honrado! Quando ao que disseste, perfeito! Ainda ontem eu falava para uma amiga que queria ter vivido nos anos 60/70... parece que mesmo sob o regime - e talvez por isso - as coisas tinham mais sentido, tinha-se causas por que lutar e se lutava... hoje não é de falta de causas que sofremos, mas de vontade!
Um beijo no coração, Jana

Janaina Brum disse...

Roseli, obrigada pelo elogio, fui conferir teu blog e adorei! Acho que podemos discutir mais o assunto da violência doméstica! Eu adoraria! Um beijo no coração

Zisco disse...

Oi guria,

postei o tal poema no orkut tb, vou te enviar um convite para a comunidade onde ele está, tem uns conterrâneos teus por lá.
Só não repara muito no nome da comunidade, garanto que é das melhores, está cheia de poetas, contistas e congêneres, kkkkkkkk!!!!!!!

Bjs!

A Palavra Mágica disse...

Olá Janaina,

"Somos poetas e isso basta para que estabeleçamos contato."

Costumo, antes de comentar nos blogs que leio, enviar primeiro um e-mail pedindo permissão. Mas com a frase escrita por você, decidi pular esta etapa.

Sou Alcides, poeta guarulhense e quero te parabenizar belo blog. Gostei muito!

Quanto à tal inclusão, estamos muito longe da verdade. Acho que o que existe é uma simples inserção, ou seja, coloca-se o sujeito em determinado meio, seja ele social, artístico, digital etc, porém não lhe damos as condições necessárias para sentirem-se realmente inclusos. No meu modo de ver você só muda o meio quando está incluído nele. Falta portando a inclusão de pensamento. Seja onde for, só com pensamentos críticos e reflexivos poderemos transformar. E fica a pergunta: Até que ponto quem nos inclui está disposto a que transformemos a realidade?

Beijos!
Alcides

Silvana Isabel disse...

Amei teu texto e tua inquietude, Jana!!!
Também tive dificuldade em escolher algo sobre inclusão social, para escrever...veja se gosta do que fiz em meu esquinadasil.blogspot.com
Beijão!

Eduardo Santos disse...

Olá amiga. Desculpa entrar assim, mas ando em viagem à procura dos companheiros da Inclusão Social, promovida pela Ester. Li com atenção seu texto, queria falar enquanto poeta, mas acabou por falar como uma pessoa bem real e de "pés assentes na terra", como eu costumo dizer. Os poetas são mais complacentes e vêem a vida pela face mais positiva (normalmente). O seu texto é longo, mas tem muita matéria para pensar, concordo e discordo de algumas coisas, mas afinal tocou em tantos pontos que, no seu conjunto, acabou por fazer uma abordagem rica. O que penso dizer quando falo em Inclusão Social? Primeiro, penso que não devia haver exclusão, mas como existe, só vejo um jeito: lutar contra ela de todos as formas que pudermos. É vago, eu sei, mas levava muito tempo a explicar. Amiga foi um prazer passar por aqui, tudo de bom.