domingo, 15 de fevereiro de 2009

Por enquanto

Quando
então
sentado na cama de casal
lembro que nela te perdes
de beijos
estou sem ar
no ar mexo as mãos
olhos
força nos ombros no nariz;
a garganta solapa; via
estreita,
nossa conversa amena;
nossa amizade;
até o previsto e casto
adeus;
o tempo se poupa;
nos economiza;
e teu ouvido
mouco;
e o troco;
e enquanto isso,
fora,
o real constrói o poema,
imbatível.


Ana Cristina Cesar (In: Antigos e Soltos)

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