terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

GRAMAS

O coração tem pouca ironia de tardinha
Segredos carnais à flor da pele
poemas descarnados aguardando

A vida recusa transportar-se para outeiros
buracos cavados por doninhas
ervas que florescem

O coração tem pouquíssimo fôlego na piscina
Nos quintais dispara úmido
Na sala fechada cuida das buzinas

A vida se encarrega das janelas
mas acaba descendo em correria
Não cabe Não suporta Não tem peso

Ana Cristina Cesar (In: Antigos e Soltos)

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