sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Perto



andas meio sem chão

pisas nas rosas de outros

passas pela visão

entras olho adentro

numa desenvoltura que me desarma

amas teus passos

ultrapassas teus irmãos

e num toque suave

me dizes o que não pode ser

vês o que eu não enxergo

e me atiras sem impasses

em um mar revolto

onde me perco

e me encontro

olhas no meu olho e não falas

mas eu sei

sei o que se passa

transpasso o verso

e te jogo no meu íntimo

conselhos de antes

amigos de logo

te quero

perto

toda a vida

atemporal

e de tão perto

distante

para que te possa ver

de antes

de logo

de agora

de sempre


Para minha amiga Teresinha Brandão!


Jana Brum

Verbete - Um pouco de teoria não fal mal...


Quem designou por este nome - dor -

Criou uma categoria nunca vista -

Diferente de dor e

De qualquer outra coisa dessemelhante.

Eu criei a descrição sem conhecer o objeto

E hoje - alumbramento -

Eis o amor aí

Com seus requintes

E suas inverdades -

Tudo o que se diz sobre o amor

Só pode fazer parte de uma única e mesma mentira -

Ele é da ordem do concreto

E é somente pelo que não se diz

Que ele existe.

quando digo amor,

Digo isto que só eu conheço

E que não sei.

Sintoma do amor é não saber,

Não poder falar.

Por sua impossibilidade,

O amor é uma figura de linguagem.

Instância suprema,

Império do Outro.

Em que eu quero ser

Plena.

Arena.

Amor.

Pavor.

Sou eu quem reina.

É meu este lugar.

E quero mais aglutinar

O outro

Do que o ter ao meu lado.

Amor-laço.

Amor-dor.

Amor-fusão

Amor-amor.


Jana Brum