domingo, 9 de março de 2008


Ele era um homem sério,

ortodoxo.

Um homem de caráter.

Um homem de poucos amigos.

Homens de caráter.

Ele não contrariava normas.

Ele lia os clássicos.

Ele dava conselhos sensatos,

Não dava esmolas,

Não falava muito,

não criticava conceitos

E respeitava os mais velhos.


Ele nunca suspeitou

Das esquinas,

Das ruas mais escuras,

Das roupas chamativas.

Ele nunca deu risadas escancaradas,

Beijos e abraços descarados.

Ele não contara estrelas.


Ela era o desejo

ímpeto

ruptura

cárcere aberto

chamativa

descontrolada

desfez castelos

perdeu caminhos

catou paixões


Nessa noite

um beijo roubado

rápido

um acordo tácito

acordou gigantes

agitou um corpo

que dormia

enterneceu a dama

acalmou o choro


O dia amanheceu bonito.


Jana

Antes da revolta,

Eu era turbilhão

Na ante-sala

Aguardando o teu sussurro,

A tua calma.

Eu era mancha

Na alvura das paredes,

Atendendo a algum chamado

Daquele que montou guarda,

Exaltou sentidos insípidos,

Coloriu mentiras

Plenas de vontade,

A tua verdade

Incontornável.


Antes da revolta,

O mundo estava a meu alcance,

Palavras na ponta dos dedos.

Eu era a sombra dos teus discursos

Nos palanques diversos

Que procuravas em cada platéia

Apática.


Eu dizia

Que o risco era teu...

E é.

Eu só não sabia

Que era

meu também.


Incontornável.


Jana

Não sei:
Não saberia dizer
O que me aconteceu
Quando te perdi de vista

Meus olhos desarmaram
E eu queria mais estar na tua
Visão
No teu horizonte
Eu queria o teu futuro
As tuas mãos
Queria olhar
O teu olhar
E saber que era só meu
Queria teu ímpeto
Teu sono
Tua visão

Eu era mar revolto
nuvem baixa
Que não podia tocar

Mas eu era:
Queria restar
Na tua lembrança
Ver o teu sorriso
Mas eu era
A tua contramão


Jana