sábado, 26 de janeiro de 2008


Sempre tive ganas de vastos campos

Acolhedores

Que sempre levaram os que

Me tinham

Em desordens absolutas,

Noites quietas. Brilhos...

Ea eu que cintilava,

Ali, noiva aberta,

Coroada de espinhos.

Eu nem ligara.

No dia mais feliz

Vi morrer um inocente.


Agora a palavra é uma só:

Ordem.

Como se por aqui houvesse...

Mas o cálido aconchego,

Mas a mão tenra,

Halito silvestre,

Tês em desalinho...


Não.

Não se governa o ente

Por decretos.


Jana

Só o ímpeto fulgurante

De espadas, lutas e relances

É capaz de tornar o dia

Suscetível.


E eu era golpes e contratempos -

Contra todos os golpes,

Contra todos os tempos.

Sentia dores

Que não cabiam nos comprimidos.


Atrás dos olhos,

Eu travava batalhas e

Negava amores,

Sonhando os mínimos detalhes

E apartando o desejo

De ser eterna.


Atrás das portas,

Eu espiava teus ares

De ser divino

E lançava o destino

Nas tuas mãoas,

Assim, de relance.


Agora, eu - todos os dias -

Olho (de trás dos olhos, atrás das portas)

Teus arroubos de

Opressão e liberdade.

Talvez, um dia, saibas

Que o modo certo é o

Caminho que tu escolhes,

Que a hora certa vem

E não aguarda,

Que o dia sempre pode...

E deve...

Ser sempre outro.


Jana

Luzes acatam todo o senso da

Última noite.

Cárceres habitam

Átomos ainda errantes dos

Sentidos ácidos.

Espaço!

Saber que existem

Torres em todos os

Amores não é um

Holofote projetado ao

longo do

Exato, ao longo do

Caminho - razão

Kantiana que

Extrapola, que estranha,

Rara, escassa.

Agora, não há mais

Nomes escondidos

No discurso.

Atrás das portas,

Eu posso dizer

Que não há efeito de sentido

Que escape a qualquer

Analista,

Artimanha de linguagem,

Emaranhado de respostas

Que, no entanto,

Não me dão, meu amor,

A presença daquele

Que renunciou a todas as

Saudades.


Jana

domingo, 20 de janeiro de 2008


Não sei mais amar:

Não sei por que tu -

Sujeito tão claro e ríspido -

Me fizeste sombra:

Dona do tempo,

Forte e temerária.


Esperando na porta

De sainha,
Vívida e rara,

Te digo boas verdades,

Caio fora num minuto,

Não quero saber

De tempo e de verdades -

Criação fictícia do poeta.


Espaço!


Ainda não posso acreditar

Nessas novas teorias

E saio à cata de um sol -

Abajur -

Que me ilumine,

Daqui - distante -

Dentro dos óculos de sombra.

Peço mil perdões

E, na verdade,

Não localizo culpa alguma.

Transformada, lúcida,

Não tenho mais certezas

E busco uma resposta que seja só minha.

Não tenho mais motivos...

E peço, do meu lugar,

Ao soberano

Que ele possa saber me amar.