terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Poemas antigos


Sonetos

Em tua face extremamente calma,
Contemplo a serenidade que há.
Antítese: o turbilhão de minha alma
Na superfície que tranqüila está.

O vento canta no roçar das palmas
A rima, que mais tarde surgirá.
Tudo em vão, posto que só tu acalmas
A ansiedade que detenho eu cá.

Então, na corrente, vai-se a lembrança
E em meu peito renasce a esperança.
Das tuas águas, a minha existência.

Agora, o pensamento já descansa,
Sinto-me novamente uma criança:
Calma e serena, eis a minha essência.

27/08/2003

Em cada rosto eu revejo um amigo
E já nele encontro um rosto perdido
Que anda disforme em busca de abrigo,
Que sabe o que faz do sonho contido.

Não sei quem sou nesse mundo antigo.
Um pensamento na mente retido?
As frases coesas que eu nunca digo?
Vulto convulso no espelho falido?

Eu vejo em mim mais um rosto sem formas
Que não sabe por que aceita essas normas,
Se é feito de nada, se é feito de vento.

Quem sabe agora há um sentimento
Que hoje perpassa meu pior intento...
Mas amanhã? Sim. Amanhã já torna.

14/11/2004

2 comentários:

intelligence disse...

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teresinha brandão disse...

Jana ... O primeiro está lindo, impecável! E ainda dizes que "fico bem portugues" ao fazer poemas ... Este tem tudo de alma portuguesa!
Belíssimo!
Bj! Tê!