terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Considerações Iniciais


Não, meu bem,
Eu não sou aquela fortaleza,
Não existe chão que me devolva
Toda aquela ênfase,
Todo aquele riso.

É preciso colocar a nau em terra firme.
Volátil.
É preciso trazer de volta
Aquele nome, aquele amor.

Eu sei exatamente
Ser dura.
Mas não quero mais.
Sou todo esse alvoroço,
Toda essa vontade.
E o segredo que era
De tua inteira responsabilidade.
Fluiu, é de domínio público,
Impuro, inédito.

Onde está todo aquele amor?
Todo aquele futuro?
Ruiu. Distraiu-se com o tempo,
Esqueceu-se de voltar.

Antes eu tivesse sido inteira,
Antes eu tivesse dito meus temores;
Tivesse mostrado o rosto –
Entranha.

Talvez,
Teria sido plena,
Talvez,
Teria sido crime,
Teria sido
Tua.

Poemas antigos


Sonetos

Em tua face extremamente calma,
Contemplo a serenidade que há.
Antítese: o turbilhão de minha alma
Na superfície que tranqüila está.

O vento canta no roçar das palmas
A rima, que mais tarde surgirá.
Tudo em vão, posto que só tu acalmas
A ansiedade que detenho eu cá.

Então, na corrente, vai-se a lembrança
E em meu peito renasce a esperança.
Das tuas águas, a minha existência.

Agora, o pensamento já descansa,
Sinto-me novamente uma criança:
Calma e serena, eis a minha essência.

27/08/2003

Em cada rosto eu revejo um amigo
E já nele encontro um rosto perdido
Que anda disforme em busca de abrigo,
Que sabe o que faz do sonho contido.

Não sei quem sou nesse mundo antigo.
Um pensamento na mente retido?
As frases coesas que eu nunca digo?
Vulto convulso no espelho falido?

Eu vejo em mim mais um rosto sem formas
Que não sabe por que aceita essas normas,
Se é feito de nada, se é feito de vento.

Quem sabe agora há um sentimento
Que hoje perpassa meu pior intento...
Mas amanhã? Sim. Amanhã já torna.

14/11/2004

Não há direito algum
Sobre a queda:
Eu era uma sombra
Aos teus pés,
Sem governo e sem fé.

O que te entrego agora
Não é a minha alma:
É o meu corpo inteiro,
Inerte,
Sem ao menos a tensão
Última,
Cansado das tentativas.

Não terás o grito –
Pulsação daquela que te fez
Estrela,
Dono do templo
Em que profanavas
Todos os cultos.

Eu quero mais é liberdade.
A velocidade já não
Me assusta.
Ai daquele que diga uma palavra.
Ai daquele que pense, sem querer,
Um último juízo.
Eu não poderia...

A praça está tão bonita, meu amor,
Incompatível,
Intransponível,
Transborda todo senso...
Eu, invadida,
Flagrada.
Um dia estarei feito pássaro.

Talvez eu possa...
Talvez eu deva...
Talvez um dia,
Eu possa voltar e te dizer
Aquelas últimas palavras
Que eu deixei suspensas
Por não saber.
Por não querer saber
Qual o limite último
De uma vida.