segunda-feira, 19 de novembro de 2007


Nesta noite quente


De quem não viveu,


O teu silêncio


Me atordoa.


O desespero


- esse desespero impregnado de passado -


Me diz que ainda não acabou.


Não, meu bem, não é o fim.


Não posso agora criar esse efeito.




Nesse momento extremo,


Quero ouvir aquele antigo


"Eu estou aqui"


Mas não.


Agora, é este deslocamento,


Esta loucura.


Queria achar o caminho das pedras...


"Calma, meu bem, você cresceu"


E esse é o extremo.


Acaso tu não sabes que o meu extremo é este?




Foi isso.


É isso aí, tocaste meu(s) ponto(s) fraco(s).


E não tem solução?


O que compete a mim agora?




Não há vôo que se sobreponha.


Não há poesia que afague.


Teu olho verde não me consola.


(Tu já te perguntaste um dia


Sobre a profundidade


Do teu olhar?)




Não há mais âncora,nem sinais...


Começa agora


O que deixou de vir.


Começa agora


Um futuro sem calma e sem saída.


É nesse beco que eu pergunto-


Peito aberto - falo:


É mesmo assim que acaba?


Não. Minha alma é mais.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007


Venha.

Pé ante pé.

Chegue mais perto.

Devagar,

Toque minha pele.

Devagar,

Encoste sua boca em minha.

Pegue minha mão.


Sinta

Que antes de você

Eu me fazia

Frente de batalha,

Santa rude e alva.


Sinta.

Meu olhar que, hoje,

Sem bravatas,

Já foi pedra intransponível,

Altos muros, noite alta.


Despida de erros e de espadas,

Me faço morada.


Sua,

afastei fantasmas,

Rompi as máscaras.

Franca despedida

Daqueles que não conheci.


Venha...

Devagar...

Pé ante pé...

Fique.


Quem sabe,

Um dia,

Você possa ver

os olhos

Daquela que se fez,

Se faz,

e agora definitivamente,

Espera.


Janaina Brum

Não é mais do que isso:

Construí um castelo

Com estacas de areia.

O resultado é este:

Lapsos de verdade

E ilusão ainda.

Bicho atento e belo

Em cavalgada atônita.

Perdido.



Ainda se restasse

Uma última gota,

Um último suspiro...

Laço que se rompe

E anula.

Passo que se faz distância.

Mão tenra

Que não mais afaga...



Apaga o último resquício

E vai.

talvez a sombra

Se faça luz a cegar os olhos.

Vai.

Talvez a pele lívida

Se faça couraça

A sustentar o medo,

A enfrentar o vento.



Vai...

Talvez, um dia,

Intempestiva,

eu não reclame a tua volta.



Janaina Brum

Talvez, um dia,

Eu - infinita -

Vá ao teu encontro

E diga,

Ainda que não deva,

Diga:


Depois da despedida,

Me fiz noite,

Algoz de todas as lutas,

Severa,

Rude.


Com o tempo,

Me fiz

Distância,

Terra morta.

Fria.


Temperamental,

me fiz despedida

Dos sonhos,

Da noite,

Da terra

E algo ressurgindo ainda.


Chama tímida

Que se faz vida:

Fértil.


Agora,

Vejo, sim, as primeiras cores.

Apago, firme,

Os vestígios dos últimos delitos

E saio á revelia,

Em busca de

Novos sonhos,

Novas noites,

Novas terras.


Despeço-me,

Assim,

Da raiva de ter sido

Espera.


Janaina Brum

Considerações Finais


Era aquilo tudo:

Acordavas no meio da noite

Com ímpetos de paixões,

Pegavas a minha mão e dizias:

"Acorda, guriazinha,

Está na hora de viver".


E eu, toda boba, fazia onda,

Deitava no teu braço,

Reclamava o sono,

Zombava do teu amor,

Amando mais ainda.


Pela manhã,

"Acalma, benzinho",

Eu dizia, "de repente a noite vem

Antes da hora",

E eu cuidava de nós,

Mesmo fazendo cara de brava,

Eu era toda olhos,

Mão e boca.

Eu era toda ouvidos

Naquele domingo.


Depois,

Era uma tarde maravilhosa,

Era a nossa tarde,

E eu pedia pausas

Para poder escrever aquela coisa toda,

Eu não queria esquecer.

E não poderia.


Hoje, é isso:

Essa ruptura, essa coisa,

Este ser que, desde pouco,

Me surpreende,

Incapaz de ser eu,

De vir a mim,

De saber que a vida não acaba aqui.


Eu não poderia mais ser eu.


Janaina Brum